Cesário Verde

O Sentimento dum Ocidental

I

AVE-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!


The Feeling of a Westerner

I  

VESPERS

When evening falls across our streets
And sullen melancholy fills the air,
The Tagus, the tang, the shadows and bustle
Bring me an absurd desire to suffer.

The sky hangs low and seems all hazy;
The gas from the streetlamps makes me queasy;
The tumult of buildings, chimneys and people
Is cloaked in a dullish, Londonish hue.

Oh lucky travellers in hired coaches
Now hieing to the railway station! Countries
And exhibitions file past me: Madrid,
Paris, Berlin, St Petersburg, the world!

The timber frames of future buildings
Resemble cages for keeping animals;
Like swooping bats the carpenters leap
From beam to beam at the sound of the bell.

Clusters of callous, tar-smeared caulkers
Return from the slipways, coats on their shoulders;
I wander through alleys that lead to the river
Or walk by the wharves where boats are docked.

I evoke the ocean chronicles: the Moors,
Old vessels and heroes – all resurrected!
Shipwrecked Camões swims his book to shore! (1)
Great carracks that I’ll never see ride the waves!

The twilight inspires, and also disturbs me!
An English battleship launches its cutters
While swank hotels on land bedazzle
With china and flatware clinking at dinner.

Two dentists argue inside a streetcar;
A clumsy clown is struggling on stilts;
Children flit, like cherubs, on balconies;
Hatless, bored shopkeepers wait at their doors!

The shipyards and workshops are emptying out;
The river glints thickly, the workwomen hurry;
And a black school of Herculean fishwives
Bursts out of nowhere, joking, laughing.

Wagging sumptuous hips they come!
Their manly torsos remind me of pillars;
And some, in the baskets on their heads,
Rock sons who’ll one day drown in storms.

On frigates – barefoot! – they unload coal (2)
From dawn to dusk, then crowd together
In a neighbourhood where cats meow
And the rotting fish breed infection!


II

NOITE FECHADA

Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de “dom”!

E eu desconfio, até, de um aneurisma
Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes;
À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes,
Chora-me o coração que se enche e que se abisma.

A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a lua lembra o circo e os jogos malabares.

Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:
Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
Assim que pela História eu me aventuro e alargo.

Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.

Mas, num recinto público e vulgar,
Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras,
Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras,
Um épico doutrora ascende, num pilar!

E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,
Nesta acumulação de corpos enfezados;
Sombrios e espectrais recolhem os soldados;
Inflama-se um palácio em face de um casebre.

Partem patrulhas de cavalaria
Dos arcos dos quartéis que foram já conventos;
Idade Média! A pé, outras, a passos lentos,
Derramam-se por toda a capital, que esfria.

Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.

E mais: as costureiras, as floristas
Descem dos magasins, causam-me sobressaltos;
Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos
E muitas delas são comparsas ou coristas.

E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.


II

AFTER DARK

Prisoners bang on the bars of their cells –
A sound that rattles my nerves with shame!
The Aljube jail, for old women and children,
Rarely encloses a titled lady!

I feel so ill as the lights come on
I worry I might have an aneurysm;
The sight of the jails, crosses, cathedral,
Fills and sinks my heart with tears.

One floor after another lights up,
And cafés, restaurants, tobacco and other shops
Spread like a sheet their white reflections.
The moon brings jugglers, the circus, to mind.

On an ancient square two churches raise
The clergy’s black, funereal spectre;
I sketch there a lonely, dour inquisitor,
Daring to extend myself into History.

In quarters which the earthquake flattened
Equal, straight buildings wall me in; (3)
Everywhere else I face steep streets
And the tolling of pious, monastic bells.

But gracing a common, public square
With lovers’ benches and lithe pepper trees
A war-sized monument cast in bronze
Stands, on a pillar, for an epic that was! (4)

And in this assemblage of stunted bodies
I think of the Fever, imagine the Cholera;
Returning soldiers look sombre as ghosts;
A gleaming palace stands opposite a hovel.

Mounted patrolmen set out from the archways
Of army barracks that once were convents;
The Middle Ages! Others, on foot,
Range through the capital, now turning cold.

Sad town! I dread you’ll arouse a dead passion
In me! I mourn upon seeing your elegant
Ladies so white in the lamp-lit distance,
Leaning and smiling at jewellers’ windows.

Coming down from the department stores,
The florists and dressmakers wrench my gut;
They’re hardly able to hold up their heads,
And many are walk-ons and chorus girls.

Even in sordid human tableaus
I, with my pince-nez, find subject matter:
I enter the beerhouse; at the immigrants’ tables,
Harshly lit, they laugh and play dominoes.


III

AO GÁS

E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arripia os ombros quase nus.

Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso
Ver círios laterais, ver filas de capelas,
Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,
Em uma catedral de um comprimento imenso.

As burguesinhas do Catolicismo
Resvalam pelo chão minado pelos canos;
E lembram-me, ao chorar doente dos pianos,
As freiras que os jejuns matavam de histerismo.

Num cutileiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.

E eu que medito um livro que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem;
Casas de confecções e modas resplandecem;
Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe.

Longas descidas! Não poder pintar
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
A esguia difusão dos vossos reverberos,
E a vossa palidez romântica e lunar!

Que grande cobra, a lúbrica pessoa,
Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo!
Sua excelência atrai, magnética, entre luxo,
Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa.

E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.

Desdobram-se tecidos estrangeiros;
Plantas ornamentais secam nos mostradores;
Flocos de pós de arroz pairam sufocadores,
E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros.

Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tornam-se mausoléus as armações fulgentes.

“Dó da miséria!… Compaixão de mim!…”
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de latim!


III

BY GASLIGHT

And I go back out. The night’s weight crushes.
Impure women roam the sidewalks.
O languid hospitals! Ill-clad shoulders
Shiver from drafts where streets open up.

Warm shops surround me. I think I’m seeing
Flanking candles, rows of chapels
With saints and the faithful, flowers, more candles,
More saints, in a vastly long cathedral.

The bourgeois women of Catholicism
Slip on the ground that’s tunnelled by drainpipes.
To me they recall, with their whining pianos,
The nuns who, fasting, died of madness.

An aproned knife maker, working the lathe,
Redhotly wields his blacksmith’s hammer;
And bread, still warm, from the baker’s oven
Sends forth its honest, wholesome smell.

And I, whose goal is a book that galls,
Want it to show and examine what’s real.
Boutiques shine with the latest fashions;
A street urchin gapes at their window displays.

O long descents! Could I but paint
With skilled, sincere, salubrious verses
The delicate shimmering of your streetlamps
And all your romantic moonlit pallor!

That sensual, corseted creature selecting
Printed shawls – she moves like a snake!
Her excellence is a magnet amidst
The finery piled on mahogany counters.

And that old dame with coiled plaits!
Her train with its vertical, two-tone stripes
Mocks a spread fan! Her Mecklenburg horses
Wait with the carriage, pawing the pavement.

Decorative plants wilt on the tables
Where clerks unroll their foreign fabrics;
In clouds of satins they bow and smile;
Rice powder hovers and chokes the air.

But all grows weary! Slowly, like stars,
The storefronts’ hanging lights go dim;
The glittering buildings become mausoleums;
A lone, hoarse voice hawks lottery tickets.

And there on a corner: “Please, sir! Take pity!”
Whenever I pass him, that little old man,
Bald and eternal, begs for alms:
The teacher at school who taught me Latin!


IV

HORAS MORTAS

O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!…
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!

From: O Livro de Cesário Verde
Publisher: Silva Pinto, Lisboa


IV

THE DEAD HOURS

The lofty ceiling of air, of oxygen,
Runs between the facing rooftops;
The stars’ tired eyes shed tears of light;
Blue dreams of transmigration exalt me.

Below all that, what portals! What streets!
I hear, in the dark, a screw hit the ground,
The clacking of shutters, the jangle of locks;
And the bloodshot eyes of a buggy scare me.

I follow, like lines on a music stave,
The stately double row of façades
While pastoral notes from a distant flute
Trill, in the silence, a gloomy warning.

Oh, if I’d never die! If forever
I’d seek and attain the perfection of things!
I lose myself envisioning wives
Who chastely nest in clear-glass mansions!

Dear sons! What swift dreams, alighting,
Will bring sharp clarity to your lives!
I want the mothers and sisters you love
To live in luminous, fragile homes.

Ah! Like our grandfathers’ fleets, like fervent
Nomads, like the ruddy race to come, (5)
We’ll go and explore every continent
And sail across the watery expanses!

But how, if we live enclosed by stone
In a dark and treeless valley of walls?
I think I see knives flash in the shadows
And hear a strangled cry for help.

And along these murky corridors
The taverns, if I peer in, appall me.
Some sorry drunks are staggering home
And sing, arms joined, for old time’s sake.

But I’m not afraid of being robbed;
The dubious characters fall behind me.
The scrawny and mangy dogs don’t bark;
They look a little like yellowish wolves.

And those keepers of keys, the night watchmen,
Scan with their lanterns each entryway;
Above them loose women, in scanty robes,
Smoke and cough at the balcony windows.

And looming out of that jagged mass
Of tomblike buildings tall as hills,
Human Pain, like a baleful sea,
Seeks vast horizons for its bitter tides!

Translation: 2009, Richard Zenith

  1. When shipwrecked at the mouth of the Mekong River, Luís de Camões managed to save himself and his epic-in-progress, The Lusiads. 2) Apart from their main activity, Lisbon’s fishwives did other sorts of labour, unloading coal being a particularly common one. 3) Lisbon’s downtown district known as the Baixa was completely levelled by the 1755 earthquake. This and other neighbourhoods were rebuilt with perpendicular streets lined by buildings of the same height. 4) Refers to the statue of Luís de Camões, in the middle of the square that bears his name. ‘The Feeling of a Westerner’ was published in 1880, in a pamphlet celebrating the tercentenary of Camões’s death. 5) This seems to allude to when the sea-goddess Tethys, addressing Vasco da Gama and his crew in Canto X of The Lusiads, “prophesies” the coming of other great Portuguese navigators.

‘I

CRISE ROMANESCA

DESLUMBRAMENTOS

Milady, é perigoso contemplal-a,
Quando passa aromatica e normal,
Com seu typo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que n’isso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,
Eu vejo-a, com real solemnidade,
Ir impondo toilettes complicadas!…

Em si tudo me attrae como um thesoiro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de oiro
E o seu nevado e lucido perfil!

Ah! Como m’estontêa e me fascina…
E é, na graça distincta do seu porte,
Como a Moda superflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!…

Eu hontem encontrei-a, quando vinha,
Britannica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sósinha,
E com firmeza e musica no andar!

O seu olhar possue, n’um fogo ardente,
Um archanjo e um demonio a illuminal-o;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pello d’um regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomatico e orgulhoso
Que Anna d’Austria mostrava aos cortezãos.

E emfim prosiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramatica, cortante[…]’
‘Que eu procuro fundir na minha chamma
Seu ermo coração, como um brilhante.

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão-de acabar os barabaros reaes;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhaes.’

‘E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o setim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, allucinadas,
E arrastando farrapos—as rainhas!


ROMANTISCHE CRISIS

VERBLUFFEND

Mevrouw, het is gevaarlijk om haar te aanschouwen,
Wanneer ze voorbijgaat, geurig en beheerst,
Met haar nobele en verfijnde verschijning,
Met haar gebaren van sneeuw en metaal.

Zonder dat dit haar stoort of verveelt,
Hoe vaak zie ik haar, in haar voetsporen,
met ware plechtigheid,
ingewikkelde toiletten dragen!…

Alles aan haar trekt me aan als een schat:
Haar bedachtzame en statige uitstraling,
Haar stem met een gouden timbre,
En haar sneeuwwitte en stralende profiel!

Ah! Hoe verbluft en fascineert ze me…
En ze is, in de bijzondere gratie van haar houding,
Als overbodige en vrouwelijke mode,
En zo hoog en sereen als de Dood!…

Gisteren ontmoette ik haar, toen ze kwam,
Britannica, en ze maakte me sprakeloos;
Grote noodlottige dame, altijd alleen,
En met vastberadenheid en muziek in haar tred!

Haar blik bezit, in een brandend vuur,
een aartsengel en een demon die haar verlichten;
Als een degen snijdt ze scherp,
en streelt als de vacht van een geschenk!

Goed. Houd het ijs als je echtgenote,
en toon, als ik je witte handen kus,
de diplomatieke en trotse houding
die Anna van Oostenrijk aan de hovelingen toonde.

En ga tenslotte hoogmoedig te werk als de roem,
zonder glimlachen, dramatisch, snijdend […]’
‘Want ik wil in mijn vlam
je verlaten hart doen smelten, als een diamant.

Maar pas op, mijn dame, wees niet overmoedig,
want de koninklijke barbaren zullen vergaan;

en de vernederde volkeren, ’s nachts,
slijpen ze hun dolken voor wraak.’ ‘En op een dag, o bloem van luxe, op de wegen,
onder het satijn van het blauw en de zwaluwen,
zal ik dwalend, waanzinnig,
en in vodden slepend zien – de koninginnen!


SEPTENTRIONAL

Talvez já te esquecesses, ó bonina,
Que viveste no campo só commigo,
Que te osculei a bocca purpurina,
E que fui o teu sol e o teu abrigo.

Que fugiste commigo da Babel,
Mulher como não ha nem na Circassia,
Que bebemos, nós dois, do mesmo fel,
E regámos com prantos uma acacia.

Talvez já te não lembres com desgosto
D’aquellas brancas noites de mysterio,
Em que a lua sorria no teu rosto
E nas lages que estão no cemiterio.

Quando, á brisa outoniça, como um manto,
Os teus cabellos d’ambar desmanchados,
Se prendiam nas folhas d’um acantho,
Ou nos bicos agrestes dos silvados,

E eu ia desprendel-os, como um pagem
Que a cauda solevasse aos teus vestidos;
E ouvia murmurar á doce aragem
Uns delirios d’amor, entristecidos;

Quando eu via, invejoso, mas sem queixas,
Pousarem borbeletas doudejantes
Nas tuas formosissimas madeixas,
D’aquellas côr das messes lourejantes,

E no pomar, nós dois, hombro com hombro,
Caminhavamos sós e de mãos dadas,
Beijando os nossos rostos sem assombro,
E colorindo ‘as faces desbotadas;

Quando ao nascer d’aurora, unidos ambos
N’um amor grande como um mar sem praias,
Ouviamos os meigos dithyrambos,
Que os rouxinoes teciam nas olaias,

E, afastados da aldeia e dos casaes,
Eu comtigo, abraçado como as heras,
Escondidos nas ondas dos trigaes,
Devolvia-te os beijos que me déras;’

‘Quando, se havia lama no caminho,
Eu te levava ao collo sobre a greda,
E o teu corpo nevado como o arminho
Pesava menos que um papel de sêda…

E foste sepultar-te, ó seraphim,
No claustro das Fieis emparedadas,
Escondeste o teu rosto de marfim
No véu negro das freiras resignadas.

E eu passo, tão calado como a Morte,
N’esta velha cidade tão sombria,
Chorando afflictamente a minha sorte
E prelibando o calix da agonia.

E, tristissima Helena, com verdade,
Se podéra na terra achar supplicios,
Eu tambem me faria gordo frade
E cobriria a carne de cilicios.


NOORDELIJK

Misschien ben je het al vergeten, oh bonina,
Dat je alleen met mij op het platteland woonde,
Dat ik je karmozijnrode lippen kuste,
En dat ik je zon en je toevlucht was.

Dat je met mij vluchtte uit Babel,
Een vrouw zoals geen ander, zelfs niet in Circassië,
Dat we beiden dezelfde gal dronken,
En een acaciaboom met tranen besproeiden.

Misschien herinner je je niet langer met verdriet
Die witte nachten vol mysterie,
Toen de maan je gezicht toelachte,
En de plavuizen op de begraafplaats.

Toen, in de herfstbries, als een mantel,
Je amberkleurige haar, warrig,
op de bladeren van een acanthus viel,
Of op de wilde toppen van de braamstruiken,

En ik het ontwarde, als een page,
Wiens staart zich optilde naar je kleren;
En ik in de zachte bries gefluister hoorde,
Bedroefde, ijle fluisteringen van liefde;

Toen ik, jaloers maar zonder te klagen,
flirterige vlinders zag neerstrijken
op je prachtige lokken,
in de kleuren van de gouden oogst,

en in de boomgaard, schouder aan schouder,
liepen we alleen en hand in hand,
elkaar onbevreesd kussend,
en kleurden we onze bleke wangen;

toen bij zonsopgang we beiden verenigd waren
in een liefde zo uitgestrekt als een zee zonder oevers,
luisterden we naar de zoete dithyramben,
die de nachtegalen in de oleanders weefden,

en, ver van het dorp en de gehuchten,
omhelsde ik je, als klimop,
verborgen in de golven van de tarwevelden,
en gaf ik je de kussen terug die je me had gegeven;

‘Toen er modder op het pad lag,
droeg ik je in mijn armen over de klei,
en je sneeuwwitte lichaam, als hermelijn,
lichter woog dan een zijden doek…

En je ging begraven worden, o serafijnen,
in het klooster van de ingemetselde gelovigen,
je verborg je ivoren gezicht
in de zwarte sluier van de berustende nonnen.

En ik ga voorbij, zo stil als de Dood,
in deze oude, sombere stad,
treurig huilend over mijn lot,
en de kelk van de pijn tegemoet ziend.

En, meest bedroefde Helena, waarlijk,
als ik op aarde kwellingen kon vinden,
zou ik ook een dikke monnik worden
en mijn lichaam bedekken met haren hemden.’


MERIDIONAL

Cabellos

Ó vagas de cabello esparsas longamente,
Que sois o vasto espelho onde eu me vou mirar,
E tendes o crystal d’um lago refulgente
E a rude escuridão d’um largo e negro mar;

Cabellos torrenciaes d’aquella que m’enleva,
Deixae-me mergulhar as mãos e os braços nús
No barathro febril da vossa grande treva,
Que tem scintillações e meigos ceos de luz.

Deixae-me navegar, morosamente, a remos,
Quando elle estiver brando e livre de tufões,
E, ao placido luar, ó vagas, marulhemos
E enchamos de harmonia as amplas solidões.

Daixae-me naufragar no cimo dos cachopos
Occultos n’esse ‘abysmo ebanico e tão bom
Como um licor rhenano a fermentar nos copos,
Abysmo que s’espraia em rendas de Alençon!

E ó magica mulher, ó minha Inegualavel,
Que tens o immenso bem de ter cabellos taes,
E os pisas desdenhosa, altiva, imperturbavel,
Entre o rumor banal dos hymnos triumphaes;

Consente que eu aspire esse perfume raro,
Que exhalas da cabeça erguida com fulgor,’
‘Perfume que estontêa um millionario avaro
E faz morrer de febre um louco sonhador.’

‘Eu sei que tu possues balsamicos desejos,
E vaes na direcção constante do querer,
Mas ouço, ao ver-te andar, melodicos harpejos,
Que fazem mansamente amar e elanguescer.

E a tua cabelleira, errante pelas costas,
Supponho que te serve, em noites de verão,
De flaccido espaldar aonde te recostas
Se sentes o abandono e a morna prostração.

E ella hade, ella hade, um dia, em turbilhões insanos
Nos rolos envolver-me e armar-me do vigor
Que antigamente deu, nos circos dos romanos,
Um oleo para ungir o corpo ao gladiador.

   *       *       *       *       *

Ó mantos de veludo esplendido e sombrio,
Na vossa vastidão posso talvez morrer!
Mas vinde-me aquecer, que eu tenho muito frio
E quero asphyxiar-me em ondas de prazer.


MERIDIONAAL

Haar

O golven van haar die zich overal verspreiden,
Jullie zijn de immense spiegel waarin ik mezelf zal aanschouwen,
En jullie bezitten het kristal van een schitterend meer
En de grimmige duisternis van een wijde, zwarte zee;

Stromend haar van haar die mij betovert,
Laat mij mijn blote handen en armen onderdompelen
In het koortsachtige rumoer van jullie grote duisternis,
Die fonkelingen en zachte lichtjes kent.

Laat mij langzaam zeilen met roeispanen,
Wanneer het kalm is en vrij van stormen,
En in het kalme maanlicht, o golven, laten we fluisteren
En de uitgestrekte eenzaamheid vullen met harmonie.

Laat mij schipbreuk lijden boven de watervallen
Verborgen in die ebbenhouten afgrond, zo goed
Als een Rijnlikeur die in glazen gist,
Een afgrond die zich uitstrekt in Alençons kant!

En oh magische vrouw, oh mijn onvergelijkbare,
die het immense goed heeft van zulk haar,
en je loopt er minachtend, hoogmoedig en onverstoorbaar overheen,
te midden van het banale gemurmel van triomfliederen;

Sta me toe die zeldzame geur op te snuiven,
die je uitademt vanuit je hooggeheven hoofd,

een geur die een gierige miljonair verbluft
en een waanzinnige dromer doet sterven van koorts.

Ik weet dat je troostende verlangens hebt,
en dat je voortdurend in de richting van verlangen gaat,
maar ik hoor, als ik je zie lopen, melodieuze harpklanken,
die je zachtjes doen liefhebben en wegkwijnen.

En je haar, dat langs je rug naar beneden valt,
ik neem aan dat het je ’s zomers ’s nachts dient,
als een slappe rugleuning waar je tegenaan leunt
als je de verlatenheid en de warme neerbuiging voelt.

En het zal, het zal, op een dag, in waanzinnige wervelwinden
mij omhullen in kronkels en mij bewapenen met de kracht
die ooit, in de Romeinse circussen,
een olie gaf om het lichaam van de gladiator te zalven.


O, schitterende en sombere fluwelen mantels,
in jullie uitgestrektheid zal ik misschien sterven!

Maar kom, verwarm me, want ik heb het erg koud
en ik wil stikken in golven van genot.’


IRONIAS DO DESGOSTO

«Onde é que te nasceu»—dizia-me ella ás vezes—
«O horror calado e triste ás cousas sepulcraes?
«Porque é que não possues a verve dos Francezes
«E aspiras, em silencio, os frascos dos meus saes?

«Porque é que tens no olhar, moroso e persistente,
«As sombras d’um jazigo e as fundas abstracções,
«E abrigas tanto fel no peito, que não sente
«O abalo feminil das minhas expansões?

«Ha quem te julgue um velho. O ‘teu sorriso é falso;
«Mas quando tentas rir parece então, meu bem,
«Que estão edificando um negro cadafalso
«E ou vae alguem morrer ou vao matar alguem!’

‘Eu vim—não sabes tu?—para gosar em maio,
«No campo, a quietação banhada de prazer!
«Não vês, ó descórado, as vestes com que saio,
«E os jubilos, que abril acaba de trazer?

«Não vês como a campina é toda embalsamada
«E como nos alegra em cada nova flor?
«E então porque é que tens na fronte consternada
«Um não sei quê tocante e enternecedor?’

‘E eu só lhe respondia:—«Escuta-me. Conforme
«Tu vibras os crystaes da bocca musical,
«Vae-nos minando o tempo, o tempo—o cancro enorme
«Que te ha de corromper o corpo de vestal.

«E eu calmamente sei, na dôr que me amortalha,
«Que a tua cabecinha ornada á Rabagas,
«A pouco e pouco ha de ir tornando-se grisalha
«E em breve ao quente sol e ao gaz alvejará!

«E eu que daria um rei por cada teu suspiro,
«Eu que amo a mocidade e as modas futeis, vans,
«Eu morro de pezar, talvez, porque prefiro
«O teu cabelo escuro ás veneraveis cans!»


IRONIEËN VAN WALGING

“Waar ben je geboren?” vroeg ze me soms.

“In de stille, droevige gruwel van grafachtige dingen?”

“Waarom heb je niet de levendigheid van de Fransen?”

“En waarom snuif je stilletjes de geur van mijn parfums op?”

“Waarom heb je in je blik, traag en volhardend,
“De schaduwen van een graf en diepe abstracties?”

“En koester je zoveel bitterheid in je hart dat je niet voelt
“De vrouwelijke trilling van mijn uitstortingen?”

“Sommigen achten je een oude man. Je glimlach is vals;
” “Maar als je probeert te lachen, lijkt het, mijn liefste,
“Dat ze een donker schavot bouwen
“En dat er óf iemand sterft óf ze iemand vermoorden!”

“Ik kwam – weet je dat niet? – om te genieten van mei,
“Op het platteland, de stilte badend in genot!”

“Zie je dan niet, bleke, de kleren die ik draag,
“En de vreugde die april net heeft gebracht?

“Zie je dan niet hoe het platteland gebalsemd is,
“En hoe het ons verrukt met elke nieuwe bloem?

“En waarom heb je dan op je ontredderde voorhoofd
“Een zekere ontroerende en vertederende blik?”

“En ik antwoordde hem slechts: —”Luister naar me.” Volgens
“Je laat de kristallen van de muzikale mond vibreren,
“Ondermijnt de tijd ons, de tijd – de enorme kanker
“Die je maagdelijke lichaam zal aantasten.

“En ik weet kalm, in de pijn die me omhult,
“Dat je kleine hoofdje, versierd als Rabagas,
“Langzaam maar zeker grijs zal worden,
“En weldra in de hete zon en het gas zal het wit worden!”

” «En ik, die voor elk van jullie zuchten een koning zou geven,
«ik die van jeugd en frivole, ijdele mode houd,
«ik sterf misschien van verdriet, omdat ik
«jullie donkere haar verkies boven de eerbiedwaardige blikken!»


HUMILHAÇÕES

(De todo o coração—a Silva Pinto)

Esta aborrece quem é pobre. Eu, quasi Job,
Acceito os seus desdens, seus odios idolatro-os;
E espero-a nos salões dos principaes theatros,
        Todas as noites, ignorado e só.

Lá cança-me o ranger da seda, a orchestra, o gaz;
As damas, ao chegar, gemem nos espartilhos,
E emquanto vão passando as cortezans e os brilhos,
        Eu analyso as peças no cartaz.

Na representação d’um drama de Feuillet,
Eu aguradava, junto à porta, na penumbra,
Quando a mulher nervosa e van que me deslumbra
        Saltou soberba ‘o estribo do coupé.

Como ella marcha! Lembra um magnetisador.
Roçavam no veludo as guarnições das rendas;
E, muito embora tu, burguez, me não entendas,
        Fiquei batendo os dentes de terror.

Sim! Por não podia abandonal-a em paz!
Ó minha pobre bolsa, amortalhou-se a idéa
De vel-a aproximar, sentado na platéa,
        De tel a n’um binoculo mordaz!

Eu occultava o fraque usado nos botões;
Cada contratador dizia em voz rouquenha:
—Quem compra algum bilhete ou vende alguma senha?
        E ouviam-se cá fóra as ovações.

Que desvanecimento! A perola do Tom!
As outras ao pé d’ella imitam as bonecas;’
‘Tem menos melodia as harpas e as rabecas,
        Nos grandes espetaculos do Som.

Ao mesmo tempo, eu não deixava de a abranger;
Vi-a subir, direita, a larga escadaria
E entrar no camarote. Antes estimaria
        Que o chão se abrisse para me abater.

Saí; mas ao sair senti-me atropellar.
Era um municipal sobre um cavallo. A guarda
Espanca o povo. Irei-me; e eu, que detesto a farda,
        Cresci com raiva contra o militar.

De subito, fanhosa, infecta, rota, má,
Pôz-se na minha frente uma velhinha suja,
E disse-me, piscando os olhos de coruja:
—Meu bom senhor! Dá-me um cigarro? Dá?…


VERNEDERINGEN

(Uit de grond van mijn hart – aan Silva Pinto)

Deze ergert de armen. Ik, bijna als Job,
aanvaard haar minachting, haar haat verafgod ik;
En ik wacht op haar in de zalen van de belangrijkste theaters,
Elke avond genegeerd en alleen.

Daar word ik moe van het geritsel van zijde, het orkest, het gaas;
De dames kreunen bij aankomst in hun korsetten,
En terwijl de courtisanes en de glitter voorbijtrekken,
analyseer ik de toneelstukken op de affiche.

Bij de uitvoering van een drama van Feuillet,
wachtte ik in de schemering bij de deur,
toen de nerveuze en ijdele vrouw die me verblindt
op sublieme wijze op het treeplankje van de koets sprong.

Hoe loopt ze! Ze lijkt wel een hypnotiseur.
De kanten versieringen streelden het fluweel;
En hoewel jullie, bourgeois, me misschien niet begrijpen,
klapperde ik van angst met mijn tanden.

Ja! Omdat ik haar niet met rust kon laten!
O, mijn arme portemonnee, het idee om haar te zien aankomen, zittend in het publiek, was gehuld in mist,
Van het scherm naar een scherpe verrekijker!

Ik verborg de versleten jas bij de knopen;
Elke verkoper zei met een schorre stem:
“Wie koopt er een kaartje of verkoopt er een toegangskaartje?”
En buiten klonk het applaus.

Wat een vervaagd gezicht! Toms parel!
De anderen naast haar lijken wel poppen; ‘Harpen en violen hebben minder melodie,
in de grote spektakels van het geluid.
Tegelijkertijd kon ik het niet laten om het te zien;

Ik zag haar recht omhoog de brede trap op klimmen
en de loge betreden. Ik had liever
dat de grond openscheurde om me eraf te gooien.
Ik ging naar buiten; maar toen ik naar buiten ging, voelde ik me overreden.

Het was een stadswacht te paard. De bewaker
Slaat de mensen. Ik ga weg; en ik, die het uniform verafschuw,
Ik ben opgegroeid met woede tegen het leger.

Plotseling stond er, nasaal, stinkend, lomp, kwaadaardig,
een vuile oude vrouw voor me,
en zei tegen me, knipperend met haar uilenogen:
—Mijnheer! Geef me een sigaret? Geef me er eentje?…


RESPONSO

I

N’um castello deserto e solitario,
Toda de preto, ás horas silenciosas,
Envolve-se nas pregas d’um sudario
E chora como as grandes criminosas.

Podesse eu ser o lenço de Bruxellas
Em que ella esconde as lagrimas singellas.

II

E loura como as doces escocezas,
D’uma belleza ideal, quasi indecisa;
Circumda-se de luto e de tristezas
E excede a melancolica Artemisa.

Fosse eu os seus vestidos afogados
E havia de escutar-lhe os seus peccados.

III

Alta noite, os planetas argentados
Deslisam um olhar macio e vago
Nos seus olhos de pranto[…]’
‘E nas aguas mansissimas do lago

Podesse eu ser a lua, a lua terna,
E faria que a noite fosse eterna.’

IV

‘E os abutres e os corvos fazem giros
De roda das ameias e dos pégos,
E nas salas resoam uns suspiros
Dolentes como as supplicas dos cegos.

Fosse eu aquellas aves de pilhagem
E cercara-lhe a fronte, em homenagem.

V

E ella vaga nas praias rumorosas,
Triste como as rainhas desthronadas,
A contemplar as gondolas airosas,
Que passam, a giorno illuminadas.

Podesse eu ser o rude gondoleiro
E alli é que fizera o meu cruzeiro.

VI

De dia, entre os veludos e entre as sedas,
Murmurando palavras afflictivas,
Vagueia nas umbrosas alamedas
E acarinha, de leve, as sensitivas.

Fosse eu aquellas arvores frondosas
E prendera-lhe as roupas vaporosas.

VII

Ou domina, a rezar, no pavimento
Da capella onde outr’ora se ouviu missa,
A musica dulcissima do vento
E o sussuro do mar, que s’espreguiça.

Podesse eu ser o mar e os meus desejos
Eram ir borrifar-lhe os pés, com beijos.

VIII

E ás horas do crepusculo saudosas,
Nos parques com tapetes cultivados,
Quando ella passa curvam-se amorosas
As estatuas dos seus antepassados.

Fosse eu tambem granito e a minha vida
Era vêl-a a chorar arrependida.

IX

No palacio isolado como um monge,
Erram as[‘velhas almas dos precítos,
E nas noites de inverno ouvem-se ao longe
Os lamentos dos naufragos afflictos.

Podesse eu ter tambem uma procella
E as lentas agonias ao pé d’ella!’

X

E ás lages, no silencio dos mosteiros,
Ella conta o seu drama negregado,
E o vasto carmesim dos resposteiros
Ondula como um mar ensanguentado.

Fossem aquellas mil tapeçarias
Nossas mortalhas quentes e sombrias.

XI

E assim passa, chorando, as noites bellas,
Sonhando nos tristes sonhos doloridos,
E a reflectir nas gothicas janellas
As estrellas dos ceus desconhecidos.

Podesse eu ir sonhar tambem comtigo
E ter as mesmas pedras no jazigo!

XII

Mergulha-se em angustias lacrimosas
Nos ermos d’um castello abandonado,
E as proximas florestas tenebrosas
Repercutem um choro amargurado.

Unissemos, nós dois, as nossas covas,
Ó doce castellã das minhas trovas!


ANTWOORD

I

In een verlaten en eenzaam kasteel,
geheel in het zwart, in de stille uren,
wikkelt ze zich in de plooien van een lijkwade
en huilt als de grote misdadigers.

Was ik maar de Brusselse sjaal
waarin ze haar eenvoudige tranen verbergt.

II

En zo mooi als de lieve Schotse meisjes,
van een ideale, bijna ondefinieerbare schoonheid;

omringt ze zich met rouw en verdriet
en overtreft ze de melancholieke Artemis.

Was ik maar haar verdronken gewaad
en kon ik haar zonden horen.

III

Laat in de nacht glijden de zilveren planeten
met een zachte, vage blik
in haar tranende ogen […]
‘En in het zachtste water van het meer

Was ik maar de maan, de tedere maan,
en kon ik de nacht eeuwig maken.’

IV

En gieren en kraaien cirkelen
rond de kantelen en pieren,
en in de hallen weerklinken zuchten,
zo droevig als de smeekbeden van de blinden.

Was ik die roofvogels,
en dan zou ik haar voorhoofd in eerbied omcirkelen.

V

En zij dwaalt over de murmelende stranden,
bedroefd als onttroonde koninginnen,
en beschouwt de sierlijke gondels,
die overdag voorbijvaren, verlicht door de dag.

Was ik de ruwe gondelier,
en dan zou ik daar mijn reis maken.

VI

Overdag, tussen het fluweel en de zijde,
fluisterend droevige woorden,
dwaalt zij door de schaduwrijke lanen,
en streelt zachtjes de tere planten.

Was ik die lommerrijke bomen,
en dan zou ik haar ijle gewaden vasthouden.

VII

Of zij heerst, biddend, op de vloer
Van de kapel waar ooit de Mis werd opgedragen,
De zoetste muziek van de wind
En het gefluister van de uitgestrekte zee.

Was ik maar de zee en mijn verlangen
Haar voeten met kussen te besprenkelen.

VIII

En in de verlangende schemering,
In de parken met verzorgde matten,
Wanneer zij voorbijgaat, buigen de beelden van haar voorouders liefdevol.

Was ik maar ook graniet en was mijn leven
Om haar in berouw te zien huilen.

IX

In het paleis, afgezonderd als een monnik,
Dwalen de oude zielen der verdoemden,
En in de winternachten klinken in de verte
De klaagzangen van de schipbreukelingen.

Was ik maar ook een storm
En de langzame doodsstrijd aan haar voeten! X

En op de plavuizen, in de stilte van de kloosters,
vertelt ze haar duistere drama,
en het immense karmozijnrood van de wandtapijten
golft als een bebloede zee.

Waren die duizend wandtapijten
onze warme en sombere lijkwaden?

XI

En zo gaat ze, wenend, de mooie nachten door,
dromend in droevige, pijnlijke dromen,
en weerspiegeld in de gotische ramen
de sterren van de onbekende hemel.

Was ik maar ook met jou aan het dromen
en had ik dezelfde stenen in mijn graf!

XII

Ze stort zich in tranende smart
in de desolate woestenij van een verlaten kasteel,
en de nabijgelegen donkere bossen
weergalmen een bittere kreet.

Laten wij twee onze graven verenigen,
oh lief kasteel van mijn liederen!


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